Realidade vs. ficção

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Uma vez que uma das premissas para os Novos 52 da DC Comics seria aproximar mais os quadrinhos da realidade (da qual eles estão se distanciando cada vez mais), um grupo de psiquiatras escreveu um artigo no New York Times a respeito da visão da editora sobre seus personagens um tanto quanto insanos:

As HQ sempre recorrem a transtornos mentais para caracterizar os seus vilões mais memoráveis. Considere a linha Batman, em que o Coringa, Arlequina e outros “criminosos insanos” são conduzidos ao hospital forense psiquiátrico de Gotham City, o Asilo Arkham.

Criado em 1974, O Arkham grosseiramente confunde os conceitos de hospital psiquiátrico e de prisão.

Os seus pacientes são chamados de “presos”, vestidos com macacões laranja e algemas, enquanto um profissional de saúde mental faz as vezes de “guardião”. Até mesmo o uso antiquado da palavra “asilo” implica no entendimento dos leigos que os doentes são trancafiados sem tratamento e com pouca esperança de voltar a viver em sociedade.

Contraste isso com os hospitais forenses psiquiátricos reais, onde os pacientes, julgados incapazes ou julgados inocentes por razões de insanidade, não são presos, eles sequer foram condenados por crimes.

Muitos justificam: “Isso é apenas uma visão fantasiosa de uma HQ.” Mas tais imprecisões perpetuam estereótipos prejudiciais ao meio psiquiátrico.

Um estudo constatou que 60% das pessoas acreditam que uma pessoa com esquizofrenia, como descrito em uma HQ, seria susceptível de ter comportamento violento – apesar do fato de que há muito pouco risco de violência ou dano a um estranho que tenha contato casual com uma pessoa que tem um distúrbio mental.

Tais estereótipos por sua vez pode levar à discriminação e fazer com que as pessoas com transtornos mentais evitem o tratamento por medo de serem rotulados como “malucos, psicopatas, assassinos”.

É por isso que a DC Comics deveria aproveitar a oportunidade com seus 52 novos títulos e reformular as suas representações de saúde mental nos quadrinhos.

Para começar, os escritores devem parar de forçar uma ligação entre violência e transtornos mentais para explicar o comportamento criminal.

Além disso, descrições precisas de sintomas deve ser emparelhado com a terminologia correta para descrevê-los. Por exemplo, os escritores se referem ao Coringa, que sofre de falta de empatia e é um mentiroso patológico, como “psicopata”, ao invés de “psicótico”. Nos quadrinhos, estes e outros termos psiquiátricos são trocadas casualmente, em psiquiatria eles são radicalmente diferentes.

Em um post no blog da DC Comics, seu co-editores, Jim Lee e Dan DiDio, escreveram que “nós queremos que estas novas aventuras redssoem o mundo real, refletindo as experiências mais diversas de nossos leitores.”

Para realmente ressoar o mundo real, eles devem começar por repensarem suas representações da saúde mental dos indivíduos.

É isso aí!

joker

Visto no MdM.

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