Stan Lee, sobre Kirby

STAN LEE 1968

Por um argumento cru, quero dizer o que posso escrever a mão na face de uma só folha… quem será o vilão, qual será o problema e assim sucessivamente. Então chamo o desenhista… e o discutimos. Para isso levamos conversando uns 20 minutos, pois geralmente temos o argumento. Depois disso, deixo que Roy Thomas entre, sente-se e tome notas enquanto discutimos. Então, ele o transcreve à máquina, o que nos proporciona uma sinopse escrita. Originalmente… tentei gravá-lo, mas me dei conta de que ninguém tinha tempo para escutar a fita de novo. Mas deste modo [Thomas] toma notas, datilografa rapidamente, me dá uma cópia em papel, o desenhista tem sua cópia… Assim não temos que nos preocupar em esquecer o que falamos. Então o desenhista… desenha a coisa, a traz de volta e pego minha cópia [do argumento], uma vez que desenhou a história baseado no argumento que lhe dei. Isto varia conforme os desenhistas. Alguns desenhistas, certamente, necessitam de um argumento mais detalhado que outros. Outors, como Jack Kirby, não necessitam de argumento de forma alguma. Quero dizer que posso dizer a Jack ‘Deixemos que o próximo vilão seja o Dr. Destino’ ou nem sequer dizer isso. Ele pode me dizer. E então vai para casa e o faz. É tão bom com os argumentos, estou certo de que é 10.000 vezes melhor que eu. Ele escreveu os argumentos dessas histórias. Tudo o que faço é um pouco de edição… Posso dizer-lhe que foi demasiado longe em uma direção ou em outra. Certamente, de vez em quando lhe dou um argumento, mas praticamente nós dois somos os escritores das coisas.

Stan Lee, entrevistado em 1968 por Ted White em Castle of Frankenstein #12 (em tradução livre). Visto aqui.

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