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Entrevista

Uma clássica entrevista com Stan Lee, conduzida por Ted White e publicada em Castle of Franskenstein #12, de 1968:

Visto aqui.

A morte da indústria de quadrinhos

Alan Moore (ele, de novo), em entrevista ao Newsarama, decretou a morte da indústria de quadrinhos (mais uma vez) e destilou mais um pouco de seu veneno mortal a seus executivos (outra vez). É claro que, quando Moore se refere à indústria de quadrinhos, ele está se referindo à linha de super-heróis e congêneres. Pode ser que algo ainda se salve do previsto cataclisma industrial…

Alan_Moore

Leia parte da entrevista, visto aqui e com tradução de Tavares:

Newsarama: Se você não quiser falar sobre isso eu vou compreender, mas você chegou a ler sobre as mudanças na DC?

Alan Moore: Não, acho que não leio mais nenhuma notícia sobre a indústria de quadrinhos, mas o que eles anunciaram?

Newsarama: Bem, eles estão relançando tudo a partir do número um em setembro e pegando os personagens da Vertigo e colocando de volta no Universo regular da DC. No meio disso o Monstro do Pântano será literalmente ressuscitado como o Alec Holland que se transforma em um elemental-planta – basicamente o contrário da sua história “Lição de Anatomia” – ; John Constantine vai circular pelo UDC; Barbara Gordon volta a ser Batgirl e fora das cadeiras de rodas de Piada Mortal. Algumas pessoas apontaram que este seria um “Universo DC Pós Alan Moore”. Você tem algum comentário sobre isso?

Moore: Na verdade não. Não estou surpreso. De onde estou, não tenho mais nenhum interesse por quadrinhos. Pelo que eu leio nos jornais daqui, todo o mundo dos quadrinhos me parece estar ao ponto de colapso. Parece que as duas maiores empresas estão apanhando feio na medida em que eles tentam remodelar seus universos enfraquecidos usando velhos truques, por que, na verdade, eu não acho que eles tenham novos truques.

Alguns personagens vão ser mortos. Mas sendo quadrinhos, estarão mortos até que despertem interesse suficiente e ai serão revividos novamente. Eles podem levar esses personagens de volta a um tipo de estado pré-Alan-Moore, se é isso mesmo que estão fazendo, mas espero que eles se lembrem o que era aquele estado! (risos)

Como eu disse, é um campo em que eu realmente não penso mais. Acho que provavelmente já está em seus estertores de morte, e eles talvez continuem por um bom tempo, mas eu estou longe disso agora e não tenho opnião sobre esta cena. Posso apenas dizer que sim, isto não me surpreende. Parece o tipo de reinício tosco que uma grande editora de quadrinhos deve tentar, mas isso já é bastante endêmico em toda indústria.

Lembro que encontrei uma notícia em um jornal de domingo alguns meses atrás onde você tinha o cabeça da Marvel Comics dizendo que a Marvel Comics estava contemplando o abismo, mas sem falar exatamente nessas palavras, mesmo que quissesse dizer isso, acho que a palavra que ele procurava era “mergulhando”! E eu penso que as coisas não estão nada melhores na DC.

Então eu acho que nós podemos esperar um monte de revisões e reinícios dessas empresas que predizem representar os murmúrios de morte da indústria e em um nível em que elas mesmas são culpadas. Como você sabe, se o que você falou sobre a DC estiver correto e eles estão mesmo fazendo este retorno ao passado, a um tempo em que eles ainda vendiam mais quadrinhos, então, você sabe, isso é bem previsível, por que me parece que os quadrinhos colocaram a si mesmos em uma posição onde não podem vislumbrar um futuro, e estão eternamente tentanto retornar a um passado onde estavam mais confortáveis.

Eles estão lidando com um mercado que encolhe a cada momento, e vamos ser sinceros, já faz tempo que esse mercado era feito por entusiastas entre nove e treze anos de idade. Este mercado em retração é composto principalmente por pessoas entre trinta e cinquenta anos, que claramente possui uma ligação nostálgica com as leituras de sua infância, e isso é bom. Porém, chegamos a uma situação em que toda indústria esta baseada nisso.

Eu acho que a virada aconteceu provavelmente no final dos anos 60, quando os primeiros escritores, pelo menos os da DC Comics, tentaram formar um sindicato ou algo tolo desse tipo, dai foram imediatamente afastados de seus cargos e substituídos por uma geração de escritores que eram fãs de quadrinhos e que estavam ansiosos por fazer referências as histórias que os tinham impressionado quando eles estavam crescendo.

Isto resulta em um tipo de, em termos de forma artística, em um tipo de incesto, um tipo de endogamia, onde nós (e quando sai da indústria, este foi o caso), você tem histórias que podem apenas fazer referências a outras histórias de cinco, 10, 40 anos atrás. A trama apresenta pedaços de cronologia que a maior parte dos leitores atuais nunca ouviu falar e não tem nenhum interesse.

Levando em consideração que os quadrinhos já foram uma fonte para a imaginação, acredito que os recursos se encurtaram pela diminuição do estoque genético, ou se quiser, das ideias, onde tudo tem de ser um tipo de referência a quadrinhos anteriores. Inevitavelmente isto vai fazer com que o conjunto de genes enfraqueça, ao ponto de termos apenas espécimes defeituosos gerados a partir dele.

Meus sentimento básico com relação a atual indústria de quadrinhos é apenas um desejo de que sua agonia final não seja tão humilhante ou desesperada, por que ela é merecida. Se a indústria é incapaz de apresentar novas ideias e um futuro para sua evolução, então ela realmente não merece sobreviver.

E mesmo que todos nós tenhamos boas memórias desses quadrinhos e personagens, a última vez que olhei para uma prateleira de quadrinhos, não havia nada lá que eu reconhecesse. E mesmo os títulos que eu reconheci tinham personagens completamente diferentes, ou que haviam estado mortos. São as mesmas ideias recicladas infinitamente, e se você está reciclando seu único combustível por décadas, você vai terminar com um produto sem energia. Parece que é isso que está acontecendo com os quadrinhos neste momento.

Tudo isso poderia ser revertido, tudo que seria preciso é uma ideia boa e original. Vamos ver o que acontece e presumir que a história seguirá o caminho de sempre.

Eu não tenho dúvida de que existem alguns exemplos entre o que estamos acostumados a chamar de “Quadrinhos alternativos”, marginais, títulos pequenos, onde há um grande trabalho sendo feito. Sei que Melinda (Gebbie) gosta de alguns mangás modernos que ela acha que tem uma narrativa original e eu acho justo. É só que eu não vejo nada que possa revolucionar a indústria e a linguagem ao ponto de a indústria poder obter um novo sopro de vida.

Tenho certeza que há dúzias de títulos realmente muito bons por ai, mas há muito que não leio nada por falta de tempo, muito menos gibis. Nem me lembro do último livro que lí. Estou envolvido em um processo de escrita ininterrupta e na produção de Dodgem Logic, Jerusalem, e a Liga, que eu terminei a pouco tempo, só faltando a história final em prosa e um monte de outras coisas de outras áreas neste momento.

Eu não tenho mais nem uma televisão pra assistir.

Mutarelli

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Uma época eu percebi que estava muito doente mentalmente, quando publiquei meu primeiro trabalho. E, conforme fui melhorando, o mundo foi adoecendo. E conforme o mundo foi adoecendo, ele foi aceitando o meu trabalho. Então pra mim foi bom, tô bem, tô legal, mas o mundo está muito doente. Acho que o fato de o mundo gostar do meu trabalho é um sintoma da doença mundial. Quando eu estava doente eram poucas pessoas que estavam passando o que eu estava passando. Hoje em dia, quase todos os meus amigos têm esse tipo de problema. Talvez seja alguma coisa que está na água, no ar, não sei.

No site do RioComicon, uma excelente (e sincera) entrevista com Lourenço Mutarelli, por Bruno Dorigatti, com colaboração de Felipe Abrahão.

lourenco mutarelli

Thompson no Estadão

craig thompson

No site do Estadão você pode ler uma entrevista com Craig Thompson, onde ele fala sobre os oito anos de desenvolvimento de Habibi, sua mais recente obra.

habibi

habibi

Visto via Twitter.

O futuro do livro

Extratos de uma entrevista de Art Spiegelman em que ele discorre sobre os formatos digitais e o futuro do livro.

maus

Utilizo meios digitais para a maioria dos quadrinhos que faço atualmente e para projetar os próprios livros. A tecnologia que ameaça matar os livros tal qual os conhecemos – o “livro físico”, uma nova expressão em nossa linguagem – também está tornando possível que o livro físico seja mais bonito que os livros que existentes desde a Idade Média.

Atualmente, qualquer coisa feita para o iPad é como um espetáculo. Eu não estou interessado em espetáculo. É muito difícil fazer quadrinhos para algo tão passageiro. Uma vez estável, serei capaz de fazê-lo. Agora mesmo, estou muito contente de poder baixar um quadrinho do Museu do Quadrinho Digital e colocá-lo em meu iPad para ler.

O que nós estamos perdendo, culturalmente, mais rápido, além de recursos naturais e do petróleo e da idéia de democracia e justiça social, é a capacidade de concentração.

Se você vai ler e reler um livro, há mais motivos para que seja um livro real, por essa capacidade de concentração e de construir um relacionamento com ele, ao contrário da relação que você constrói com a sua tela, que premia a substituição. Mesmo no iPad ou no Kindle, você é recompensado por apertar um botão, é quase como algo pavloviano. Realiza-se uma pequena ação. E sempre ocorre uma pequena descarga de adrenalina. Mas essa descarga é diferente quando você vai virar uma página, como se fosse a tela de um cinema que te vai mostrar outra coisa.

Eu diria que, no futuro, o livro está reservado para as coisas que funcionam melhor como livro. De modo que, se necessito um livro de texto, que estará ultrapassada por causa das novas invenções tecnológicas, será melhor tê-lo em um formato no qual se possa baixar extras ou atualizações.

Nada disto tem a ver com o modelo de negócio. Tem a ver com a natureza de boutique do livro, a idéia de que, como disse McLuhan, quando uma tecnologia é substituída por outra tecnologia de tecnologia, a tecnologia prévia ou torna-se arte ou morre.

Lembro-me de anos atrás, sentado no meu terraço com muitos autores famosos. Eu estava trabalhando no livro The Wild Party para a Pantheon, tentando decidir se o lançava em encadernados de três partes ou em uma, e se deveria ter ou não sobrecapa. Então eu falei com esses escritores e perguntei o que eles prefeririam, e me perguntaram o que era o encadernado em três partes.

Não sabiam. Eles não sabiam nem como era o seu livro. E não havia razão para que devessem saber. Tenho certeza que se você entrevistasse qualquer um deles, também iriam te dizer que o importante é o livro como livro, porque eles, como eu, cresceram com essas coisas, mas assim todo o seu material pode ser transferido de forma relativamente fácil para o formato digital.

Eu nunca conheci um autor de quadrinhos que não soubesse em que papel seria impresso e em que tamanho iria imprimir. Isso tem uma base na semente do que você está fazendo. Claro que você pode reutilizar e ajustar se necessário, mas é feito com algo em mente. Tem uma base narrativa.

Isso é parte do que eu penso quando eu faço os meus livros. Eu diria que até mesmo o próprio Maus saiu de uma decisão formal. Não de “vou falar ao mundo sobre o Holocausto”, mas que saiu de “quero ver um livro que seja como os outros livros da estante e grande o suficiente para precisar de um marcador de páginas.”

Visto aqui.

Entrevista

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Neste link, uma entrevista de Neil Gaiman com Sir Terry Pratchett sobre seu (de Pratchett) mais recente livro da série Discworld, “Snuff: A Novel of Discworld” (compre aqui). Em inglês (a entrevista e o livro…).

Monstro do Pântano

Uma entrevista com Alan Moore, feita por Kim Thompson, após a publicação de “Lição de Anatomia”, uma dos melhores arcos de quadrinhos já realizados em toda a história, e que ajudou a catapultar Moore a um patamar de quase deus e a reformular o personagem como o conhecemos hoje.

Visto aqui.

lição de anatomia

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