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[Resenha] Bento

André Vianco é uma referência nacional quando falamos de livros com uma temática vampiresca. Autor de 13 livros (e mais um quase no prelo), Vianco é o Paulo Coelho dos vampiros. E foi a curiosidade em torno desse autor que me fez ler um livro dele, este Bento que (eu não sabia) faz parte da saga O Vampiro Rei, completada por A bruxa Tereza – O Vampiro-Rei volume 1 e Cantarzo – O Vampiro-Rei volume 2.

A premissa do livro é simples: numa noite como outra qualquer, metade da população mundial adormece e, conforme vão despertando, deparam-se com o mundo dividido entre seres humanos e as famosas criaturas das trevas. As pessoas agora vivem em cidades fortificadas e isoladas, sem comunicação e racionando o pouco de energia elétrica que conseguem produzir, aguardando o despertar do trigésimo Bento, pessoas antes comuns que, em presença dos vampiros, adquirem uma força sobre-humana. O despertar do trigésimo, segundo uma recente profecia, será o estopim para que a humanidade possa exterminar de vez a raça das trevas.

O livro começa exatamente neste ponto, onde o Bento Lucas, o trigésimo, desperta para um mundo novo:

Abriu os olhos. O lugar estava escuro. Só isso sabia. Que estava num lugar escuro.Flexionou os dedos, sentindo e ouvindo-os estralar. Os braços estavam estendidos, rentes aocorpo. A garganta seca. As costas doloridas, como se tivesse dormido mais do que de costume.Precisava levantar e tomar água. Quis erguer os braços, mas estava fraco. Dor. Confusão mental.Onde estava? O estômago ardia e a garganta seca incomodava mais uma vez. Não estava em suacasa… Uma sensação estranha. Como aquelas de infância quando vamos dormir no sítio do tio eacordamos assustados de manhã, olhando para o teto, encontrando um cenário tão diferente donosso habitual. Nessas horas a gente leva um instante para lembrar… Lembranças. Sentiumedo. Tentou levantar-se novamente, mas a fraqueza impedia. Sentiu espasmos musculares naspernas e braços. Cãibras. Dor. Soltou um gemido entre dentes. Tentou pedir ajuda, mas a voznão saiu. O estômago queimava. Tinha alguma coisa espetada no braço. Uma agulha! Não podiaver, mas sabia que tinha uma agulha enfiada no braço. O medo novamente. Os olhosarregalaram e os globos dançaram nervosamente. Onde estava? Não era seu quarto! Sabia quenão era! Não estava em sua casa! Respirou fundo repetidas vezes, com o peito subindo edescendo, parando de retorcer-se de dor e desespero por um momento. Tentava lembrar-se…mas não conseguia. Como eram os móveis em seu quarto? Não conseguia se lembrar de suacasa, mas sabia que estava longe de lá. Em sua casa não estaria com uma agulha espetada nobraço! A mente clamou por calma. Tentava recuperar o controle da respiração. O coração batiadisparado. Talvez estivesse amarrado. Por isso não conseguia mexer-se. Estava amarrado.Respirou fundo. Onde estava? Deus do céu! O que tinha acontecido com sua casa? O que tinhaacontecido consigo? — perguntava-se atropeladamente. — Seqüestro? Doença? Onde estava aluz? Desespero. Os olhos começaram a lacrimejar intensamente, a ponto de ter lágrimasescorrendo pelos cantos dos olhos, descendo em direção dos ouvidos, posto que se encontravadeitado. Não conseguia nada além de flexionar os dedos doloridos das mãos. Os artelhosestralaram e também doeram na primeira flexão. Fechou os olhos. Abertos ou cerrados eraindiferente. Nada tinha além da escuridão absoluta e do desprazer da consciência. Uma únicacoisa diferia com os olhos fechados. Uma ponta de segurança. O medo diminuía. Era comomergulhar num canto seguro. Imaginar proteção. Voltava a um lugar conhecido. Voltava paradentro de sua cabeça. O peito doía. Tentou lembrar-se da noite passada. O que tinha feito antesde dormir? O que tinha comido? Pizza da Tomanik? Um Tchê Filet? O medo voltava a crescer.Desespero. Não conseguia lembrar. Não conseguia. Não tinha memória! Não tinha vida!

A partir daí, acompanhamos o trigésimo em sua saga para reunir os outros Bentos e fazer cumprir a profecia. E é aí que, apesar das boas tiradas e do crescente clima de suspense, o autor comete alguns deslizes (pelo menos, a meu ver).

É interessante a maneira em que o autor nos mostra um mundo pós-apocalíptico, onde as máquinas cedem lugar à manufatura e, uma vez que não há poluição, as florestas e animais crescem a ponto de se tornarem tão perigosos quanto os vampiros. Na velha premissa de “há males que vêm para o bem”, Vianco tenta nos mostrar que, mesmo na maior das diversidades, encontramos motivos para continuar vivendo.

E, apesar da “noite eterna” ter atingido o mundo inteiro, todos os 30 Bentos são brasileiros (!!!). Não é algo que comprometa a leitura ou a história do livro, mas é uma “licença poética” um pouco forçada. Talvez tenha sido a solução adotada pelo autor para poder reunir 30 pessoas num mundo sem meios de comunicação, com combustível racionado e contando apenas com alguns veículos pequenos como meio de transporte.

O livro, obviamente, termina com algumas pontas soltas, mas nada que impeça sua leitura isolada. Apesar de alguns “saltos” na narrativa, que deveriam ter sido melhor trabalhados, o livro nos traz uma leitura fluida e nos mantém presos na saga de Lucas em sua busca por reunir todos os Bentos e tentar fazer cumprir a profecia (apesar das, cada vez mais constantes, falhas de revisão).

Nota: 7,0

Ficha Técnica
Editora: Novo Século
Autor: André Vianco
Número de páginas: 520

Invasão alienígena

Pare tudo o que você está fazendo: algo muito grave está acontecendo aqui, agora. Mas não se trata do Apocalipse Maia que está prometido para o fim do ano. É algo muito mais ameaçador — e antigo também: desde eras remotas existem registros de invasões alienígenas. Das Pirâmides do antigo Egito aos Moais da Ilha de Pascoa, das Linhas de Nazca às teorias polêmicas de Erich Von Däniken, muito tem se falado a respeito.

Mas não se trata, agora, de mera especulação: ELES JÁ ESTÃO AQUI! Talvez até mesmo aí, à sua volta, dormindo na sua cama, ao seu lado no metrô — ou ainda, na pior das hipóteses, controlando este país que desde sempre tem se mostrado incontrolável.

A prova, caro leitor, está neste e-book. Organizado criteriosamente por Ademir Pascale, um seleto time de autores mostra, sob os mais variados aspectos e abordagens, que aquilo imaginado pelo grande autor H.G. Wells já se faz presente.

Surpreenda-se. Admire-se. Ou fuja — se tiver tempo suficiente!

Baixe aqui o e-book, gatuitamente, e ajude a divulgá-lo entre seus amigos. Visto aqui.

Frazetta e O Senhor dos Anéis

O ilustrador Frank Frazzeta fez algumas ilustrações para uma edição limitada a 1000 exemplares de “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” que, graças ao pessoal do site Skeletronix, você pode ver aqui:

Visto aqui.

De Huxley para Orwell

huxley-aldous

Wrightwood. Cal.

21 de Outubro de 1949

Caro Sr. Orwell,

Foi muito gentil de sua parte pedir para os seus editores me mandarem uma cópia do seu livro. Chegou quando eu estava no meio de um trabalho que exigia bastante leitura e consultas a referências; e devido a minha visão deficiente é necessário que eu modere a minha leitura. Eu tive que esperar um longo tempo para embarcar na leitura de 1984.

Concordando com todas as críticas escritas sobre ele, não preciso dizer a você, mais uma vez, o quão bom e profundamente importante o seu livro é. Deixe-me então falar sobre o assunto que o livro aborda – a revolução final? Os primeiros sinais de uma filosofia da revolução final – a revolução que vai além da politica e economia, que visa à subversão total da psicologia e fisiologia do indivíduo – serão achados no Marquês de Sade, que se considerava o continuador, o consumador, de Robespierre e Babeuf. A filosofia da minoria dominante em 1984 é um sadismo que foi levado para sua conclusão lógica, além do sexo e da negação dele. Mesmo que na realidade a política “bota-na-cara” (boot-on-the-face) possa seguir indefinidamente, parece improvável. Acredito que a minoria oligárquica encontrará métodos menos árduos e sem desperdícios de governar e satisfazer seu desejo de poder, e esses métodos vão lembrar aqueles que eu descrevi em Admirável Mundo Novo. Eu tive recentemente a oportunidade de examinar a história do magnetismo e hipnotismo animal, e fiquei impressionado pela maneira como, durante 150 anos, o mundo se recusou a conhecer seriamente as descobertas de Mesmer, Braid, Esdaile e o resto.

Em parte por causa do materialismo vigente e em parte por causa da respeitabilidade, filósofos do século 19 e homens da ciência não estavam dispostos a investigar os fatos mais estranhos da psicologia para os homens práticos, como os políticos, soldados e policiais, para aplicar no campo do governo. Graças à ignorância voluntária de nossos pais, o acontecimento da revolução final foi adiado em cinco ou seis gerações. Outro acidente de sorte, foi à inabilidade de Freud para hipnotizar com sucesso e sua consequente descredibilidade do hipnotismo. Isso atrasou a aplicação do hipnotismo na psiquiatria por pelo menos 40 anos. Mas agora a psicanálise esta sendo combinada à hipnose; e a hipnose se tornou mais fácil e indefinidamente expansível com o uso de barbitúricos [soníferos, calmantes], que induzem a hipnose e estados sugestíveis mesmo nos assuntos mais recalcitrantes.

Na próxima geração eu acredito que os governantes do mundo vão descobrir que condicionamento infantil e narco-hipnose são mais eficientes, como instrumentos de governo, do que clubes e prisões, e que o desejo de poder pode ser completamente satisfeito sugerindo às pessoas o amor pela servidão assim como por punições até torna-los obedientes. Em outras palavras, eu sinto que o pesadelo de 1984 é destinado a modular, se integrar ao pesadelo de um mundo mais parecido com aquele que imaginei em Admirável Mundo Novo. A mudança será trazida como resultado de um necessário aumento na eficiência. Enquanto isso, é claro, talvez ocorra uma grande guerra biológica ou atômica – nesse caso nós teremos tipos inimagináveis de pesadelos.

Obrigado mais uma vez pelo livro.

Sinceramente,

Aldous Huxley

George Orwell

Carta de Aldous Huxley para George Orwell, logo após o lançamento de 1984. Tradução de Distrito 8 – Cláudia Charão. Visto aqui.

Tem um pinguim no meu livro

A Penguin Books teve uma iniciativa digna de aplausos: convocou diversos quadrinistas para elaborar as capas dos lançamentos de sua série Penguin Classic. O resultado, além de maravilhoso, ainda ganhou o prêmio Design Museum’s Brit Insurance Design Awards, na categoria gráfica.

Veja aí algumas das obras já lançadas (e seus respectivos autores):

Compre o(s) seu(s) aqui. Visto aqui.

Livro sobre HQ

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A Editora Marca de Fantasia, do Prof. Henrique Magalhães, está disponibilizando, gratuitamente, a obra de Edgar Franco, História em Quadrinhos e Arquitetura, uma obra bastante procurada por estudiosos do assunto e há muito fora do catálogo da editora.

A obra está disponível em formato pdf e, para recebê-la, é só enviar um e-mail de solicitação ao Prof. Henrique.

Alice por Dali

Em 1969, Salvador Dali criou uma série de 13 ilustrações para uma edição comemorativa de “Alice no País das Maravilhas” (a capa e uma abrindo cada capítulo da edição). Os desenhos estão em exposição permanente na William Bennett Gallery, em Nova York, mas não é preciso ir tão longe para vê-los:

01- Alice - capa

Capa

02- Para baixo na toca do coelho

Para baixo na toca do coelho

03- Lagoa de Lágrimas

Lagoa de Lágrimas

04- Uma corrida de comitê e uma longa história

Uma corrida de comitê e uma longa história

05- O Coelho manda Bill, o lagarto

O Coelho manda Bill, o lagarto

06- Conselho de uma lagarta

Conselho de uma lagarta

07- Porco e Pimenta

Porco e Pimenta

08- Um chá maluco

Um chá maluco

09- O jogo de críquete no campo da rainha

O jogo de críquete no campo da rainha

10- A história da falsa tartaruga

A história da falsa tartaruga

11- A dança da lagosta

A dança da lagosta

12- Quem roubou as tortas

Quem roubou as tortas

13- O depoimento de Alice

O depoimento de Alice

Talvez ninguém fosse mais indicado para ilustrar uma história tão surrealista como Alice do que Salvador Dali. Visto aqui e aqui.

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